terça-feira, 25 de novembro de 2008

Considerações finais

Desde há já algum tempo que o Médio Oriente e os assuntos com ele relacionados têm atraído a minha curiosidade e atenção. Como tal, já há algum tempo tinha muita vontade de ir ver e sentir as coisas lá, o seu modo de vida, o ambiente, as gentes. Surgiu esta oportunidade de trabalho, que eu muito apreciei e aproveitei, e com ela a oportunidade de conhecer Israel. Obviamente, o Médio Oriente é muito mais do que Israel, e tenho a certeza de que o é de uma maneira muito mais intensa. No entanto, vi lá muitas coisas fora da minha realidade diária e dos costumes ditos europeus, coisas que posso dizer tinha visto apenas na televisão. Vi as mulheres árabes cobrindo os cabelos com o lenço e usando as vestes compridas, carregando com elas um olhar tímido posto no chão; vi os homens árabes, falei com eles, bebi chá com eles; vi os militares israelitas com as suas metralhadoras e os seus kippas; vi as comunidades beduínas que vivem no deserto; aprendi a distinguir a língua árabe da hebraica; aprendi mais sobre o conflito israelo-palestiniano; percebi que árabes, judeus e cristãos circulam pelas mesmas ruas em Jerusalém; senti os aromas das especiarias, saboreei a deliciosa comida israelita; caminhei em paisagens admiráveis, experimentei o calor e o pó do deserto, a água fresca das fontes nos oásis, o sal do Mar Morto. Israel é um país diversificado. Nele vivem pessoas vindas de todo o lado do mundo, com várias religiões e costumes. Obviamente, essa é uma das maiores razões para os problemas que lá existem. Mas por isso mesmo, é também um país interessantíssimo. Não vou dizer que é um país belo. É bonito, tem paisagens características, monótonas (que eu muito aprecio). Não está ainda, julgo, totalmente preparado para receber o estrangeiro, porque apesar de ter as placas nas estradas com os nomes das cidades em Árabe e também em Inglês, a maior parte dos menus em restaurantes, os destinos dos autocarros e comboios estão apenas indicados em Hebraico. Tel Aviv, não sendo uma cidade tão moderna e vibrante quanto eu estava à espera, contrasta com o que vi no resto do país. Os israelitas, em geral, são pretensiosos. Nota-se-lhes nos gestos um ar de superioridade, não sei se estará relacionado com o facto de se considerarem “o povo eleito”. Não são um povo extremamente simpático e prestável, mas nunca fui mal tratada nem nunca me foi negada ajuda ou informação. Falta-lhes mais civismo: entram todos a empurrarem-se para dentro do que quer que seja, autocarro, comboio, estação, e muitas vezes passam mesmo à frente… Conduzem demasiado rápido, buzinam por tudo e por nada, e as passadeiras estão no chão simplesmente para enfeitar a rua; e o melhor é não arriscar a passar contando que eles parem, porque eles não param e ainda mandam vir! Tenho que confessar que sempre me senti mais segura no lado judeu ou cristão do que no lado árabe. Talvez isso seja ainda por falta de conhecimento ou convivência, ou talvez porque a aparência e os costumes árabes sejam, para mim, menos apelativos. Não obstante, ter sido capaz de vencer o receio e ter estado no meio deles e da sua cultura foi, para mim, um grande triunfo.

Com estas considerações finais encerro o blogue de viagem. Foi um prazer partilhar as minhas aventuras com todos aqueles que o quiseram ler.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A despedida

Comecei o dia com a arrumação das tralhas dentro da mala e com a arrumação da mala e do computador dentro do cacifo. Tive que deixar o quarto até às 10:30h mas pude deixar as coisas no cacifo do hostal mediante o pagamento de 15 Shekel=3Euros.
Hoje esteve calor. Eram ainda 8:30h e já dava para andar de alças. Fui pelo passeio marítimo até ao sul da cidade, à Old Jaffa e à zona do porto de pesca. A Old Jaffa é uma pequena zona da cidade, mais antiga e muito turística. Oferece, em certos pontos, excelentes panorâmicas sobre a cidade. É engraçada. O porto de pesca desiludiu-me. Estava à espera de ver barcos mais típicos (como os que vi em Malta). Além disso, a zona do porto está em obras (bem como um pouco por toda a cidade), o que fez com que se tornasse um local menos apelativo.

Passeio maritimo.


Old Jaffa.

Daqui virei a bússula 180 graus e segui rumo a norte, novamente pelo passeio marítimo. Ao longo do passeio marítimo há uns mini ginásios onde qualquer pessoa pode, gratuitamente, fazer exercícios. Ontem vi lá um velhote, vestido de fato (com chapéu e tudo!), a tentar mexer as artroses enferrujadas… Cómico. Fui até à marina, e depois percorri umas ruas interiores. Em geral, a zona norte é mais moderna e menos degradada. Dá-me a ideia de ser a zona rica da cidade.
Voltei ao hostal estafadinha. Andei a pé desde as 8:30h até às 12:30h. Comprei umas massas pré-cozinhadas, juntei-lhe as azeitonas de ontem, uma maçanita, e já está. Económico e não suja loiça, almoço perfeito para a despedida. Da parte da tarde, fiquei pela praia, fotografei o espectacular por-do-sol, mas como nao tenho a camara comigo, mostro a foto depois.



No fim disto tudo, é caso para dizer: Sababba = Tudo na boa. Tem sido uma viagem em cheio. A seguir vou para o aeroporto apanhar o avião de regresso a casa. Saio de Tel Aviv às 01:30h da manhã (bonita hora), com escala em Bruxelas às 5:30h da manhã (bonita hora), e 5 horas de espera em trânsito (bonitas horas). Chego a Faro às 12:20h. É um instantinho!! Até já!

PS. Depois de chegar, escrevo um post com as consideracoes finais...

domingo, 23 de novembro de 2008

Passeio Mediterranico

Depois do deserto, o mar. Foi optimo voltar a ver o mar, ja estava com saudades. Depois da chuvinha de ontem a tarde, o dia hoje acordou solarento e morno, mesmo propicio para uma caminhada ao longo do bonito e extenso passeio maritimo de Tel Aviv. O mar estava agitado, com as ondas a rebentar mesmo na praia; a areia e fina, mas nao e branca nem muito apelativa. De qualquer modo, este passeio maritimo e os arranha-ceus junto ao litoral sao a imagem turistica da cidade.

Depois meti-me pelo meio da cidade. Dei uma volta pelo Carmel Market, uma rua cheia de vendas (roupas, frutas, legumes, bujigangas). Muito giro, o mercado era limpo e as frutas e legumes tinham muito bom aspecto. Como sou fa de azeitonas, comprei uma caixinha delas, gigantes, tenras e deliciosas, e uns paezinhos achatados com sementes de sesamo que eles aqui tem, tambem deliciosos, e fui-me sentar a comer este pequeno menu num banquinho da marginal... mesmo a turista tuga :)


Carmel market

A tarde fui ver uma zona da cidade chamada White City, conhecida por ter varias casas em estilo arquitectonico Bauhaus. Percorri as avenidas grandes, onde estao os arranha-ceus, normalmente bancos ou servicos estatais. Ja com as pernas estoiradas, sentei-me a comer um kebab e apanhei um solinho na praia ao fim da tarde.


Um dia em cheio, para a despedida.

sábado, 22 de novembro de 2008

Tel Aviv

Hoje foi o Shabbat e como tal a unica maneira de sair de Jerusalem para Tel Aviv (ou para qualquer outro lado) foi apanhando um Sherot, um taxi colectivo. E um bocado mais caro do que um autocarro, mas e muito mais barato que um taxi individual. Ha dois sitios possiveis para apanhar um sherot: algures na Jaffa Street ou no Damascus Gate. Optei pelo ultimo porque ja conhecia o caminho. La encontrei um sherot para Tel Aviv, eram ainda 8:30h. Esperei dentro da carrinha ate as 10:00h por mais passageiros (eles nao levam apenas 1 passageiro). As tantas fartei-me de esperar naquela zona maioritariamente arabe e bastante medonha (suja, com gente porca e feia, de meter medo ao escuro!), e tomei uma decisao: disse ao arabe que nao ia ficar ali todo o dia a espera, peguei na malinha e fui a procura de outro sherut na zona judaica. Passado menos de 5 minutos estava dentro de outro sherut a caminho de Tel Aviv! E caso para dizer que fui mais cigana que o arabe :)
A tarde foi tempo de me encontrar com o meu amigo israelita, que conheci no Chile. Foi tao bom reve-lo, almocamos juntos e demos uma grande volta pela cidade. Conversamos imenso sobre tudo, foi muito bom.
As primeiras impressoes da cidade sao estranhas: tem sitios bonitos, mesmo junto ao mar, e depois tem sitios mais no meio da cidade menos bonitos. Tinha a ideia de ser uma cidade mais nova e limpa, mais turistica. Mas se calhar ainda nao vi o suficiente.
Hoje nao ha fotos porque ainda nao tirei nenhuma. Mas amanha a minha tarefa vai ser documentar a cidade fotograficamente.
PS. Desculpem a falta de acentos, mas eles aqui nao usam disso!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Um chá e outras coisas

Hoje acordei com uma oferta: o senhor que está aqui a trabalhar nas obras do hostal ofereceu-me um chá de menta (bebida típica mulçumana). É bom, é adocicado. Estivemos um bocado à conversa enquanto bebíamos o chá. Ele contou-me que tem 2 mulheres e 12 filhos! Valente! Disse-me que elas não vivem na mesma divisão da casa e que a lei muçulmana não permite ter 2 mulheres no mesmo quarto (nada de rebaldarias), mas os filhos brincam todos juntos. Disse-me ainda que podia ter até 4 mulheres, mas que para isso é preciso ter rendimento suficiente para as sustentar e aos filhos, e não é permitido casar com outra enquanto uma delas estiver doente nem em tempos de guerra.
Depois fui ver melhor o quarteirão cristão (para mim o mais bonito de todos é o quarteirão judeu). No quarteirão cristão há muitos turcos e gregos da igreja ortodoxa, não há muitos cristão como estamos habituados a ver aí. Ontem estive na Igreja do Santo Sepulcro e parecia que estava algures na Rússia, com as decorações e as vestes muito ortodoxas.
Ruínas no bairro judeu.

Igreja do Santo Sepulcro

Ainda de manhã, estive na parte do shopping, já fora das muralhas da Old City, onde bebi um cafezinho e comi uma coisa tipo massa folhada estaladiça e recheio de maça… delicioso! Hoje vi também um azedum entre tropas israelitas e palestinianas… desandei logo dali rapidamente! O tempo aqui é bem mais frio que no deserto, mas Tel Aviv promete uma camisolinha de alças :)

Nota: Hoje reparei que as bagageiras dos carros são todas revistadas antes de entrarem num parque subterrâneo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Old City

Não sei que palavras usar para descrever esta cidade! Só mesmo vindo cá, ver e sentir. Já visitei os quatro bairros ou quarters (o judeu, o cristão, o arménio e o muçulmano). Há aqui todo o tipo de gente, muita cor, muitos aromas, muitas crenças, espiritualidade e antiguidade. Tem sido uma grande experiência, e estou a apreciar a sensação de estar neste lugar. Dentro da Old City há muitas ruas cheias de lojas a vender de tudo! Passado um bocado até cansa a vista! Dá-me ideia de ser assim parecido com as medinas de Marrocos (não que alguma vez lá tenha estado), com ruas estreitas cheias de gente a toda a hora, e com muito comércio. Há muitos turistas: o que mais oiço são americanos, mas também há brasileiros, russos ou coisa do género, e alguns espanhóis.


Rapazinho judeu a caminho da escola.

Uma das ruas no bairro judeu.

Venda de especiarias no bairro muçulmano.

Mulheres muçulmanas à saída de Damascus Gate.
Dome of the Rock.

Para além dos longos passeios pela Old City, hoje fui também ao centro, na chamada Nova Jerusalém, que é o resto da cidade fora dos muros, maioritariamente judaica. Esta parte da cidade não é, na generalidade, muito bonita. É suja, confusa, o trânsito é caótico. É toda muito antiga, mas degradada, embora tenha alguns edifícios modernos engraçados. Tem muito comércio e há sempre imensa gente nas ruas e nos mercados. Eu até me tenho orientado bem aqui. Apanhei um autocarro para o centro e desci na paragem certa, e de volta para a Old City vim a pé e não me perdi!


O centro de Jerusalém.

Durante o dia petisquei aqui e ali. Ao pequeno-almoço o que consegui arranjar mais perto vendia umas sandes de trigo integral com ovo e queijo, e salada. A acompanhar, um capuccino… bela combinação… Na rua vendem-se uns pães enormes em forma de U muito bons, com pouco sal e muitas sementes de sésamo. Jantei a ver um album de fotos da Old City nos tempos da ocupação Turca (início do século XX). Priceless!

Notas1: Passados dois dias de estar aqui em Jerusalém, já consigo distinguir entre as mulheres árabes e as judaicas (ambas usam lenço, mas não da mesma forma). Os homens são claramente diferentes. Os muçulmanos têm um ar engraçado :)
Notas2: Apesar de estar alojada no bairro cristão, o hostal é gerido por muçulmanos. Por isso, as regras dizem que é proibido fumar ou beber álcool. E não é permitido a um casal dormir no mesmo quarto a menos que sejam casados… :)
Notas3:Resolvido o problema da internet! Fui comprar um cabinho de net e já tenho o mundo no meu computador aqui em Jerusalem :)
Notas4: Acho a vida cara em Israel, em geral.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Jerusalém

Cheguei com grande emoção e ansiedade à Cidade Santa. À medida que o autocarro ia fazendo as curvas e mostrando bocadinhos da cidade, eu ia com os olhinhos bem abertos, tentando identificar os locais conhecidos. Deixei as coisas no hostal (estou alojada na zona cristã, o chamado Christian Quarter, por isso devo estar em segurança :)), e fui dar uma volta de reconhecimento pela Old City, para me orientar com as ruas estreitas. Estive no Muro das Lamentações, vi o Temple Mount e a Dome of the Rock (a cúpula dourada). Não tirei muitas fotos hoje porque já era fim do dia. Vou ter bastante tempo nos próximos dias. Mas tirei algumas para vos dar um cheirinho da cidade. A cidade em si dispensa apresentações. As minhas primeiras impressões: está cheia de turistas, tem um ar descontraído, deve ser bastante bonita à noite. Há umas ruas estreitas cheias de comércio (lenços, missangas, bujigangas).
Estou chateada com uma coisa: o hostal tem wireless em todo o lado e eu não posso aceder porque o meu computador não tem placa wireless… :(. Não tenho muito tempo na net e então preparo a escrita no meu computador e depois passo para o blog.
Beijinhos sagrados da cidade com mais religiões por metro quadrado do mundo!


terça-feira, 18 de novembro de 2008

En Gedi e o Mar Morto

En Gedi é um oásis e uma reserva natural, com muitas quedas de água, e fica a duas horas de autocarro de Beer Sheva, para leste. Mesmo junto à reserva natural está o Mar Morto, que é 10 vezes mais salgado que a água do mar, e está 400 metros abaixo do nível do mar, o que faz dele o local mais baixo do mundo. Do outro lado do mar vê-se a Jordânia.
No guia da Lonely Planet que, neste local, 300 dias por ano são de sol e céu limpo. Eu devo ter apanhado um dos 65 nublados. E é pena, porque as cores do mar não são tão azuis, e não se vê nitidamente a Jordânia, que até fica relativamente perto. No entanto, à conversa com um velhote na paragem do autocarro, ele disse-me que costuma é estar sempre nublado.


Cascata em En Gedi.


(já não estou viciada em Doritos, agora estou viciada em palmeiras...)

Depois de visitar a reserva, fui dar um mergulho no Mar Morto, que é como quem diz, boiar... e boia-se mesmo!! É impressionante a densidade daquela água. Tentei manter-me em pé dentro de água, mas assim que tirava os pés do fundo o corpo torcia-se todo e só arranjava posição estável a boiar.


A água é tão salgada que até forma cristais nas rochas... Depois da banhoca, é preciso tirar a maior parte do sal do corpo, com um duche de água doce (sim, a maior parte! porque o restante ainda vem agarrado ao corpo até casa). Gostei da experiência. Foi um dia bem passado, apesar das 3 horas de autocarro, repartidas entre o campus e Beer Sheva e Beer Sheva e En Gedi, e mais outras 3h pra o regresso. Estou moída. Nunca estive no sítio mais alto do mundo, mas posso dizer que já estive no mais baixo!
E se gostou e quer voltar, não "exite"! Lindo!!


(placa de "saída" do parque)

Nota: Os motoristas conduzem os autocarros depressa demais considerando que é um pesado (parece que voam!), e buzinam por tudo e por nada.

O meu próximo destino:

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Jantarada na Guest House

Epá, acabei de fazer uma jantarada aqui com a malta da Guest House... vinhinho tinto do bom, da Galileia, escolhido pela minha pessoa, rolinhos de queijo e tomate em massa folhada, sardinhas em lata (isto foi a parte mais portuguesa, mas foi o John que comprou), queijo de cabra com nozes. A acmpanhar uma excelente conversa!

Aqui estão as imagens comprovativas.
O John, a Roni e o outro rapaz...

Mitzpe Ramon

Hoje foi dia de decidir os meus próximos passos. Terminado o trabalho enzimático no laboratório, é altura de me fazer à estrada e ir conhecer muito mais de Israel. Como hoje só tive a parte da tarde livre, escolhi ir visitar um sítio aqui perto. Fui com o meu amigo John até Mitzpe Ramon, que fica a 30 minutos de autocarro desde o campus, mais para sul. A principal atracção de Mitzpe Ramon é a cratera. Não é uma cratera formada pelo impacto de um meteorito, mas sim pela erosão. Mas a vista sobre a imensa cratera é fascinante! (É pena a luz das fotos não ser muito boa, havia muita poeira no ar).




Depois da visita à cratera, foi tempo de um cafézinho e de algumas fotos. O John pediu um café normal, que nada tinha de normal. Era um bocado de água quente com montes de borras a boiar… Eu cá pedi o meu café expresso do costume, e tenho-me saído sempre bem :) Ficam aí as fotos para comprovar.




Houve ainda tempo para visitar o BioRamon, uma espécie de pequeno zoo onde se pode apreciar alguns dos animais do deserto. Dificilmente se consegue avistar estes animais no próprio deserto, uma vez que são bastante esquivos. Eu própria já fiz duas incursões pelo deserto e nunca vi nada disto!


Cobrinhas... Lagartinhos...



Porco espinho do deserto.

Amanhã há mais aventuras, assim o espero.

domingo, 16 de novembro de 2008

Kippa, o chapéu judeu



Ando há tempo para escrever qualquer coisa sobre aquele chapelinho redondo que os judeus usam no alto da cabeça. Ao que parece, o nome hebraico é kippa ou yarmulka, e os judeus homens religiosos usam-no como forma de mostrar a sua submissão e respeito a Deus. Os mais religiosos usam-no sempre, enquanto os restantes usam-no apenas durante cerimónias religiosas. Eu sempre me perguntei como é que eles prendiam o kippa à cabeça, e agora que estou aqui tenho andado a reparar nisso atentamente. Já percebi que alguns usam um gancho daqueles de mulher, triangular com mola, para prender o chapéu ao cabelo. Mas ainda continuo intrigada com os casos em que não há cabelo! Não vejo qualquer modo de prender o chapéu sem cair. Será que tem velcro por baixo?? Um dia destes tenho que perguntar…

Fonte: Wikipédia

Os chapelinhos não são baratos! Custam em média $3.20 cada. Se alguém estiver interessado em adquirir um, pode consultar o site: http://www.a-zara.com/p214301.htm. Têm lá imensa variedade :)

Vê-se muitos judeus a usar o kippa, inclusive os miúdos que andam a prestar serviço militar. No outro dia, ia um sentado ao meu lado, com a metralhadora entre as pernas… e o seu kippa enfiado no alto da cabeça. Achei o máximo!

Nota: Faz-me confusão como é que, sendo tão religiosos, apoiam a guerra e a preparação para a guerra. Podiam ser objectores de consciência, mas já se viu no que é que isso vai dar…

Dinheiro Israelita


Fica aqui uma foto com uma amostra do dinheiro israelita. Eu acho as notas muito bonitas. Têm imensas cores e são feitas com um papel mais rijo do que as nossas, até parece de plástico...
Quem quiser uma moedinha para recordação, diga. Aceitam-se encomendas (mas só para moedas, que a vida está cara!).
Nota: 1€=5 NIS

sábado, 15 de novembro de 2008

Um passeio pelo deserto (2)

Hoje fui ao deserto outra vez. Desta vez fui para Este, visitar as springs En Aqev. Meti por um “atalho” que há aqui na saída do campus, que leva mais rapidamente ao trilho que existe no vale, e lá fui. As springs são umas nascentes de água doce em pleno deserto, e não faço a menor ideia de quanto tive que palmilhar para ver as springs, mas sei que foram 5 horas bem andadas sob o sol quentinho e o pó do deserto (ida e volta). Bebi uma garrafa de litro e meio inteirinha! Depois da jornada feita, sinto que valeu a pena. Pelo passeio em si, pelas paisagens, pelo silêncio.


O chão seco do deserto.

A caminho das springs conheci a Evie e o marido. Simpáticos, ambos de meia-idade: ele palestiniano, ela americana/palestiniana. Estão a pensar ir a Portugal fazer uma tour em bicicleta pelo país. Trocámos e-mails. Quando cheguei às springs, tirei as botas e as meiocas e meti os pézinhos na aguinha gelada do pequeno lago que lá existe. Soube mesmo bem. Fiz um pequeno snack. Entretanto chegou imensa gente, malta israelita com mochilas, que deviam ter andado a acampar pelo deserto, e sacaram das roupas para fora do corpinho e foram todos em cuecas para dentro de água!


Malta a banhar-se na fonte.

Depois de uma meia hora para repor energias, voltei à estrada, que é como quem diz ao trilho poeirento, e fiz o caminho de regresso. Cheguei cansadita, suada, empoeirada. Comi e deu-me uma moleza tão grande que adormeci. Quando abri os olhos era noite cerrada… Oh, perdi o pôr-do-sol no meu sítio preferido do campus… mas ganhei mais um passeio pelo deserto :)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Beer Sheva, capital do Negev

Eram 9:00h e já eu estava na paragem do autocarro à saída do campus, prontinha para um dia de visita a Beer Sheva. Cheguei lá por volta das 10h, e às 13h já estava de novo na paragem para apanhar o autocarro de volta para o campus. Motivo da rapidez do regresso: a cidade não tem nada de especial para ver, e é pouco agradável para passear. Tirando alguns edifícios modernos e arquitectónicamente apelativos, o resto das habitações são feiosas e degradadas, as ruas são, em geral, desorganizadas, sujas e cheiram mal (não admira, os israelitas passam a vida a cuspir para o chão!). Estava com grandes expectativas em relação à capital do deserto, mas fiquei desiludida. É uma pena. Beer Sheva é talvez uma das cidades mais antigas do mundo, havendo registos da sua ocupação em 4000 a.c..



Mas tem um McDonalds!



Um dos locais de interesse da cidade é a Turkish Bridge, restos da ocupação turca otomana na região durante o séc. XIX. O problema com este sítio é que, aquilo que parece ser uma linda cascata a escorrer nos degraus por baixo da ponte otomana, não passa de um ribeiro/esgoto a verter uma água branco-leitosa nojenta (deve estar carregadinha de nutrientes, porque há imensas algas verdes à volta... coisas de bióloga).





Outro dos locais de interesse é o Abraham's Well, que data de 2000 a.c., mas infelizmente não consegui dar com o raio do poço!
Por onde quer que se ande vê-se MUITOS militares, e com armas. E para entrar em determinados locais (shoppings, bancos, lojas, estações) é preciso passar por um posto de controlo, onde um militar revista a mala e passa o detector de metais. Vê-se também muitas mulheres com lenço e alguns árabes.
No caminho entre o campus e Beer Sheva há vários aglomerados de barracas (acampamentos tipo ciganos) que suponho sejam das comunidades beduínas que aqui residem também. Aí, havia camelos amarrados às casas como se fosses cavalos... A paisagem é sempre desértica, mas é bonita. Eu gosto de paisagens monótonas, descansam-me o cérebro. De certa forma, esta paisagem faz-me lembrar parte da Patagónia.

Na viagem de regresso para o campus, uma rapariga de lenço começou a vociferar qualquer coisa para mim e a apontar para cima e eu... don't speak hebrew, I'm sorry... coitadita, ela queria simplesmente que eu tocasse a campainha para ela sair na próxima paragem... Só posso concluir que não tenho ar de "bifa" no Médio Oriente, porque já várias pessoas se dirigiram à minha pessoa a falar em hebraico.

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