Desde há já algum tempo que o Médio Oriente e os assuntos com ele relacionados têm atraído a minha curiosidade e atenção. Como tal, já há algum tempo tinha muita vontade de ir ver e sentir as coisas lá, o seu modo de vida, o ambiente, as gentes. Surgiu esta oportunidade de trabalho, que eu muito apreciei e aproveitei, e com ela a oportunidade de conhecer Israel. Obviamente, o Médio Oriente é muito mais do que Israel, e tenho a certeza de que o é de uma maneira muito mais intensa. No entanto, vi lá muitas coisas fora da minha realidade diária e dos costumes ditos europeus, coisas que posso dizer tinha visto apenas na televisão. Vi as mulheres árabes cobrindo os cabelos com o lenço e usando as vestes compridas, carregando com elas um olhar tímido posto no chão; vi os homens árabes, falei com eles, bebi chá com eles; vi os militares israelitas com as suas metralhadoras e os seus kippas; vi as comunidades beduínas que vivem no deserto; aprendi a distinguir a língua árabe da hebraica; aprendi mais sobre o conflito israelo-palestiniano; percebi que árabes, judeus e cristãos circulam pelas mesmas ruas em Jerusalém; senti os aromas das especiarias, saboreei a deliciosa comida israelita; caminhei em paisagens admiráveis, experimentei o calor e o pó do deserto, a água fresca das fontes nos oásis, o sal do Mar Morto. Israel é um país diversificado. Nele vivem pessoas vindas de todo o lado do mundo, com várias religiões e costumes. Obviamente, essa é uma das maiores razões para os problemas que lá existem. Mas por isso mesmo, é também um país interessantíssimo. Não vou dizer que é um país belo. É bonito, tem paisagens características, monótonas (que eu muito aprecio). Não está ainda, julgo, totalmente preparado para receber o estrangeiro, porque apesar de ter as placas nas estradas com os nomes das cidades em Árabe e também em Inglês, a maior parte dos menus em restaurantes, os destinos dos autocarros e comboios estão apenas indicados em Hebraico. Tel Aviv, não sendo uma cidade tão moderna e vibrante quanto eu estava à espera, contrasta com o que vi no resto do país. Os israelitas, em geral, são pretensiosos. Nota-se-lhes nos gestos um ar de superioridade, não sei se estará relacionado com o facto de se considerarem “o povo eleito”. Não são um povo extremamente simpático e prestável, mas nunca fui mal tratada nem nunca me foi negada ajuda ou informação. Falta-lhes mais civismo: entram todos a empurrarem-se para dentro do que quer que seja, autocarro, comboio, estação, e muitas vezes passam mesmo à frente… Conduzem demasiado rápido, buzinam por tudo e por nada, e as passadeiras estão no chão simplesmente para enfeitar a rua; e o melhor é não arriscar a passar contando que eles parem, porque eles não param e ainda mandam vir! Tenho que confessar que sempre me senti mais segura no lado judeu ou cristão do que no lado árabe. Talvez isso seja ainda por falta de conhecimento ou convivência, ou talvez porque a aparência e os costumes árabes sejam, para mim, menos apelativos. Não obstante, ter sido capaz de vencer o receio e ter estado no meio deles e da sua cultura foi, para mim, um grande triunfo.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Considerações finais
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A despedida
Hoje esteve calor. Eram ainda 8:30h e já dava para andar de alças. Fui pelo passeio marítimo até ao sul da cidade, à Old Jaffa e à zona do porto de pesca. A Old Jaffa é uma pequena zona da cidade, mais antiga e muito turística. Oferece, em certos pontos, excelentes panorâmicas sobre a cidade. É engraçada. O porto de pesca desiludiu-me. Estava à espera de ver barcos mais típicos (como os que vi em Malta). Além disso, a zona do porto está em obras (bem como um pouco por toda a cidade), o que fez com que se tornasse um local menos apelativo.
Passeio maritimo.
Old Jaffa.
Voltei ao hostal estafadinha. Andei a pé desde as 8:30h até às 12:30h. Comprei umas massas pré-cozinhadas, juntei-lhe as azeitonas de ontem, uma maçanita, e já está. Económico e não suja loiça, almoço perfeito para a despedida. Da parte da tarde, fiquei pela praia, fotografei o espectacular por-do-sol, mas como nao tenho a camara comigo, mostro a foto depois.
PS. Depois de chegar, escrevo um post com as consideracoes finais...
domingo, 23 de novembro de 2008
Passeio Mediterranico
sábado, 22 de novembro de 2008
Tel Aviv
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Um chá e outras coisas
Depois fui ver melhor o quarteirão cristão (para mim o mais bonito de todos é o quarteirão judeu). No quarteirão cristão há muitos turcos e gregos da igreja ortodoxa, não há muitos cristão como estamos habituados a ver aí. Ontem estive na Igreja do Santo Sepulcro e parecia que estava algures na Rússia, com as decorações e as vestes muito ortodoxas.
Ainda de manhã, estive na parte do shopping, já fora das muralhas da Old City, onde bebi um cafezinho e comi uma coisa tipo massa folhada estaladiça e recheio de maça… delicioso! Hoje vi também um azedum entre tropas israelitas e palestinianas… desandei logo dali rapidamente! O tempo aqui é bem mais frio que no deserto, mas Tel Aviv promete uma camisolinha de alças :)
Nota: Hoje reparei que as bagageiras dos carros são todas revistadas antes de entrarem num parque subterrâneo.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Old City
Rapazinho judeu a caminho da escola.
Uma das ruas no bairro judeu.
Venda de especiarias no bairro muçulmano.
Mulheres muçulmanas à saída de Damascus Gate.
Para além dos longos passeios pela Old City, hoje fui também ao centro, na chamada Nova Jerusalém, que é o resto da cidade fora dos muros, maioritariamente judaica. Esta parte da cidade não é, na generalidade, muito bonita. É suja, confusa, o trânsito é caótico. É toda muito antiga, mas degradada, embora tenha alguns edifícios modernos engraçados. Tem muito comércio e há sempre imensa gente nas ruas e nos mercados. Eu até me tenho orientado bem aqui. Apanhei um autocarro para o centro e desci na paragem certa, e de volta para a Old City vim a pé e não me perdi!
Durante o dia petisquei aqui e ali. Ao pequeno-almoço o que consegui arranjar mais perto vendia umas sandes de trigo integral com ovo e queijo, e salada. A acompanhar, um capuccino… bela combinação… Na rua vendem-se uns pães enormes em forma de U muito bons, com pouco sal e muitas sementes de sésamo. Jantei a ver um album de fotos da Old City nos tempos da ocupação Turca (início do século XX). Priceless!
Notas1: Passados dois dias de estar aqui em Jerusalém, já consigo distinguir entre as mulheres árabes e as judaicas (ambas usam lenço, mas não da mesma forma). Os homens são claramente diferentes. Os muçulmanos têm um ar engraçado :)
Notas2: Apesar de estar alojada no bairro cristão, o hostal é gerido por muçulmanos. Por isso, as regras dizem que é proibido fumar ou beber álcool. E não é permitido a um casal dormir no mesmo quarto a menos que sejam casados… :)
Notas3:Resolvido o problema da internet! Fui comprar um cabinho de net e já tenho o mundo no meu computador aqui em Jerusalem :)
Notas4: Acho a vida cara em Israel, em geral.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Jerusalém
Estou chateada com uma coisa: o hostal tem wireless em todo o lado e eu não posso aceder porque o meu computador não tem placa wireless… :(. Não tenho muito tempo na net e então preparo a escrita no meu computador e depois passo para o blog.
Beijinhos sagrados da cidade com mais religiões por metro quadrado do mundo!
terça-feira, 18 de novembro de 2008
En Gedi e o Mar Morto
Cascata em En Gedi.
(já não estou viciada em Doritos, agora estou viciada em palmeiras...)
Depois de visitar a reserva, fui dar um mergulho no Mar Morto, que é como quem diz, boiar... e boia-se mesmo!! É impressionante a densidade daquela água. Tentei manter-me em pé dentro de água, mas assim que tirava os pés do fundo o corpo torcia-se todo e só arranjava posição estável a boiar.
A água é tão salgada que até forma cristais nas rochas... Depois da banhoca, é preciso tirar a maior parte do sal do corpo, com um duche de água doce (sim, a maior parte! porque o restante ainda vem agarrado ao corpo até casa). Gostei da experiência. Foi um dia bem passado, apesar das 3 horas de autocarro, repartidas entre o campus e Beer Sheva e Beer Sheva e En Gedi, e mais outras 3h pra o regresso. Estou moída. Nunca estive no sítio mais alto do mundo, mas posso dizer que já estive no mais baixo!
E se gostou e quer voltar, não "exite"! Lindo!!
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Jantarada na Guest House
Mitzpe Ramon
Houve ainda tempo para visitar o BioRamon, uma espécie de pequeno zoo onde se pode apreciar alguns dos animais do deserto. Dificilmente se consegue avistar estes animais no próprio deserto, uma vez que são bastante esquivos. Eu própria já fiz duas incursões pelo deserto e nunca vi nada disto!
Porco espinho do deserto.
Amanhã há mais aventuras, assim o espero.
domingo, 16 de novembro de 2008
Kippa, o chapéu judeu

Fonte: Wikipédia
Os chapelinhos não são baratos! Custam em média $3.20 cada. Se alguém estiver interessado em adquirir um, pode consultar o site: http://www.a-zara.com/p214301.htm. Têm lá imensa variedade :)
Vê-se muitos judeus a usar o kippa, inclusive os miúdos que andam a prestar serviço militar. No outro dia, ia um sentado ao meu lado, com a metralhadora entre as pernas… e o seu kippa enfiado no alto da cabeça. Achei o máximo!
Nota: Faz-me confusão como é que, sendo tão religiosos, apoiam a guerra e a preparação para a guerra. Podiam ser objectores de consciência, mas já se viu no que é que isso vai dar…
Dinheiro Israelita
sábado, 15 de novembro de 2008
Um passeio pelo deserto (2)
A caminho das springs conheci a Evie e o marido. Simpáticos, ambos de meia-idade: ele palestiniano, ela americana/palestiniana. Estão a pensar ir a Portugal fazer uma tour em bicicleta pelo país. Trocámos e-mails. Quando cheguei às springs, tirei as botas e as meiocas e meti os pézinhos na aguinha gelada do pequeno lago que lá existe. Soube mesmo bem. Fiz um pequeno snack. Entretanto chegou imensa gente, malta israelita com mochilas, que deviam ter andado a acampar pelo deserto, e sacaram das roupas para fora do corpinho e foram todos em cuecas para dentro de água!
Depois de uma meia hora para repor energias, voltei à estrada, que é como quem diz ao trilho poeirento, e fiz o caminho de regresso. Cheguei cansadita, suada, empoeirada. Comi e deu-me uma moleza tão grande que adormeci. Quando abri os olhos era noite cerrada… Oh, perdi o pôr-do-sol no meu sítio preferido do campus… mas ganhei mais um passeio pelo deserto :)
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Beer Sheva, capital do Negev
Por onde quer que se ande vê-se MUITOS militares, e com armas. E para entrar em determinados locais (shoppings, bancos, lojas, estações) é preciso passar por um posto de controlo, onde um militar revista a mala e passa o detector de metais. Vê-se também muitas mulheres com lenço e alguns árabes.
Na viagem de regresso para o campus, uma rapariga de lenço começou a vociferar qualquer coisa para mim e a apontar para cima e eu... don't speak hebrew, I'm sorry... coitadita, ela queria simplesmente que eu tocasse a campainha para ela sair na próxima paragem... Só posso concluir que não tenho ar de "bifa" no Médio Oriente, porque já várias pessoas se dirigiram à minha pessoa a falar em hebraico.
Mais fotos no Facebook.